Quando o governador João Azevêdo disse que o PSB era o mais forte, o gestor tinha motivos para isso. A um ano e seis meses das eleições municipais, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) conseguiu em um só movimento de filiação se tornar a mais forte das legendas da Paraíba. O ingresso de 73 prefeitos ocorrido na última segunda-feira (17), ao campo progressista do PSB terá, segundo especialistas, reflexos maiores a longo prazo.
Agora com 78 gestores filiados, o PSB é o partido com maior número de gestores e lança o foco em 2026. Azevêdo, que capitaneou as filiações, disse na ocasião que o “PSB será imbatível em 2024 e em 2026” e esse será um momento de coroação para um grupo político que vem se estruturando ao longo dos últimos anos. Quando as eleições municipais de 2020 foram encerradas, o Cidadania, então partido do governador João Azevêdo, terminou sendo a legenda com mais prefeitos eleitos. O segundo partido com mais gestores eleitos era o PSDB, com 27 prefeitos. Num movimento contrário estava o PSB, o partido que mais encolheu, há época, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No início de 2021, o governador já eleito João Azevêdo retorna aos quadros da legenda. Esse momento segundo o presidente estadual do PSB, Gervásio Maia, foi o pontapé inicial para o crescimento do partido. “Nas eleições 2022, tivemos eleitos um deputado federal, seis estaduais e o governador João reeleito. Este foi o nosso primeiro passo, agora é hora de continuar esse fortalecimento”, explicou. Repetindo o movimento de João Azevêdo, também voltam cerca de 40 prefeitos que estavam no Cidadania.
O PSB se reidrata, refaz raízes e se ramifica por toda a Paraíba. Esse movimento de fortalecimento da legenda, traz uma antecipação de 2024 e uma preocupação latente com 2026. Para o cientista político Gonzaga Junior, é um recado das lideranças do partido para a própria base e para as oposições de que o PSB é grande. “Esse é um movimento de fortalecimento da legenda, se antecipando para 2024, mas sobretudo com reflexos em 2026. Essa filiação de mais de 70 prefeitos, esse aumento de prefeitos, inclusive trazendo gente de partidos da base, também soa como um recado para alguns partidos da própria base, de que pretende ser grande na disputa eleitoral.
Movimento de um partido que tem o governo e vai se utilizar dessa força governamental para crescer eleitoralmente”, explica Gonzaga. “Será um momento de demonstração da força, da organização e da unidade do nosso partido, que saiu grande das eleições de 2022 e continuará crescendo, com a chegada de novos filiados de todas as regiões da Paraíba”, disse o gestor. E não foi da própria base eleitoral que o PSB trouxe novos filiados. Os dirigentes do partido foram além, abocanhando para a legenda gestores de agremiações políticas do campo da oposição e até direita.
É o que se observou ao serem anunciados gestores que na última eleição para presidente da República, em 2022, estiveram no palanque do ex-presidente Jair Bolsonaro, na esfera federal, ou que compunham o PSDB, que teve inclusive candidatura própria ao governo do estado, tendo o candidato Pedro Cunha Lima em segundo lugar na disputa. Tomando como exemplo estas duas legendas, foi do Partido Liberal (PL) que veio o segundo maior número de prefeitos. Seis gestores deixaram a legenda para se filiar ao PSB, de João Azevêdo.
Gonzaga Junior avalia a escolha como pragmática, não é filiação só de base ideológica. Apesar de criar uma densidade eleitoral, acontece dentro de um pragmatismo governamental num primeiro momento. João Neto, prefeito de Aparecida, na região de Souza, foi um dos que deixou o PL para ingressar no PSB. “O PSB também tem a minha linhagem de trabalho, defendo o socialismo e as pessoas”, afirmou João Neto, se colocando mais na ideologia do campo progressista. João Neto é do Sertão, região que mais deu votos a João Azevêdo para que fosse reeleito.
É da região também que chega o maior número de novos filiados ao PSB, numa demonstração de que o diálogo e as parcerias com os gestores da região estão produzindo frutos políticos, mas também administrativos, com dezenas de obras do Governo do Estado e parcerias firmadas. Do PSDB e do PSD, adversários do PSB migraram nove prefeitos, em mais uma demonstração de que como disse João Azevêdo, o partido poderá ser imbatível. “Não tem sentido ser governador e não ter força em todo o estado. Ele filia maior parte do Sertão, além de conseguir desidratar outros partidos do campo da oposição. Tem o governo e vai se aproveitar dessa força governamental. Esse movimento é importante para 2026, com o aumento expressivo de prefeitos de partidos da base”, explicou Gonzaga Junior.
Na lista líderes com maior envergadura política estão o prefeito de Bananeiras, Matheus Bezerra, que deixa o MDB pelo PSB; o prefeito de Sapé, Major Sidney, que tentará a reeleição em Sapé; saindo do Podemos, Jacques Lucio, prefeito de São Bento; Ana Lorena, prefeita de Monteiro, que também deixou o PL, além do presidente da Federação dos Municípios da Paraíba, George Coelho. Também se filiaram os vice-prefeitos Availdo Azevedo (Araruna); Gustavo Fernandes (Malta); Adriana Marsicano (São José de Caiana); Dra. Alda (Serra Branca); Zenóbio Fernandes (Mamanguape); e Wellington Rodrigues (Guarabira). Mas para além dos prefeitos, o PSB também abrirá as portas para os que acreditam na ideologia partidária da legenda. Segundo Gervásio Maia, a tendência é de que outros políticos busquem filiarse ao partido, acreditando na união da força com ideologia.
“O PSB da paraíba é orgulho para todos e se tornou referência para todo o país, por isso tem sido muito procurado e abrirá as portas para isso”, explicou. Ainda segundo Gervásio, os dirigentes dos novos diretórios que estão sendo montados deverão conduzir essas novas filiações e a construção das candidaturas e montar o partido nos 223 municípios. E é aí, que segundo o cientista político Gonzaga Junior, que os partidos costumam se fortalecer de forma substancial. “Quando há um crescimento de base, uma formação de base, de forma espontânea, é que acontece o crescimento político de verdade, muito mais do que quando há uma adesão em massa com fins eleitorais”, conclui.
Em João Pessoa, quem deve conduzir esse processo de novas filiações e de construção de filiações é o ex-vereador e secretário de Administração do Estado, Tibério Limeira, que enfatizou que, mesmo não sendo candidato, vai trabalhar para fazer o maior número de candidaturas. “Não serei candidato, mas estarei trabalhando para reorganizar o partido na cidade, aumentar o número de vereadores na capital e ampliar o diálogo com outros partidos e construir candidaturas sólidas”, disse Tibério que defende a manutenção da composição da chapa com o PP, de Cícero Lucena.





