Mulher e criança tiradas de cárcere privado em Alagoa Grande ficaram quatro meses presas e quase sem comida

Homem mantém mulher e filho reféns dentro de casa, no interior da PB — Foto: Divulgação/Geovan Silva

Um homem de 33 anos, que foi preso por manter a esposa e o filho de 6 anos em cárcere privado na cidade de Alagoa Grande, no interior da Paraíba, cometeu o crime por pelo menos quatro meses, de acordo a Polícia Civil. Ele também impunha uma restrição da quantidade de comida que a mulher poderia ingerir.

Nesta quarta-feira (11), o homem manteve o filho refém na residência da família após expulsar a mulher de casa. Ao ser expulsa, ela procurou o Conselho Tutelar e o caso foi levado para a polícia. Ao chegar ao local, os policiais tentaram falar com o homem, que não atendeu aos chamados. Após isso, os policiais entraram na residência para prender o suspeito, considerando um possível flagrante. Na abordagem, ele ficou ferido e também feriu dois policiais.

O delegado Rodrigo Régis disse que além da mulher ter a restrição de alimentação imposta, também não tinha as chaves da casa dela e tinha que pedir autorização, inclusive, para beber água.

“Ela relatou que tinha sua liberdade restrita, ela não podia sair de casa. A casa era toda cheia de cadeados, ela não tinha as chaves, não poderia ter contatos com familiares ou terceiros. Tudo passava pela aprovação do companheiro. Desde esse período que ela vem sendo alimentada com uma mistura de milho e frutas. Comia essa refeição três vezes por dia. Não poderia ter qualquer outro tipo de alimento, até para beber água era mediante autorização do companheiro”, disse.

Também conforme o delegado, devido essa restrição de comida, que a criança também passou durante esse período, ambos tiveram perda de peso registradas. O homem pode responder por crime de resistência por tentar obstruir a ação policial, lesão corporal por agentes da segurança pública e o cárcere privado contra os familiares.

Durante as negociações, dois agentes da Polícia Militar ficaram feridos e foram socorridos para o Hospital de Trauma de Campina Grande. Segundo apuração da TV Paraíba, um policial sofreu um ferimento na perna e o outro no rosto. Os dois estão conscientes e passando por atendimento.

O suspeito, que também ficou ferido, foi levado para o Hospital de Trauma de João Pessoa, onde vai permanecer custodiado até que se recupere e, depois, reencaminhado para a Carceragem da Polícia Civil, em Guarabira.