Em uma campanha eleitoral, acompanhar o que os adversários e outros candidatos estão fazendo é necessário. Observar tendências, analisar estratégias, identificar boas práticas e compreender o comportamento do eleitor fazem parte de qualquer planejamento profissional.
O problema começa quando observar deixa de ser uma ferramenta de aprendizado e passa a ser um método de condução da campanha.
É cada vez mais comum encontrar equipes que, diante de qualquer conteúdo publicado por outro candidato, imediatamente fazem a mesma pergunta: “Por que não fazemos algo assim?”
Surge um vídeo diferente, uma nova trend, um conteúdo com bom engajamento ou uma peça criativa, e logo aparece a sensação de que aquela é a fórmula que está faltando para o sucesso da própria campanha. Mas será?
Existe um risco silencioso nessa obsessão pela comparação: a perda da identidade estratégica.
Cada campanha é construída dentro de um contexto próprio. Cada candidato possui uma história, uma personalidade, uma forma de se comunicar, um público específico e um posicionamento político. O que funciona para um candidato pode ser completamente inadequado para outro.
Um conteúdo precisa, antes de tudo, cumprir uma função dentro de uma estratégia. Precisa ser intencional.
Observar outras campanhas é importante. O mercado político precisa ser acompanhado. É fundamental saber o que está acontecendo, conhecer novas linguagens e entender quais formatos estão chamando atenção. Mas quando uma campanha começa a mudar sua direção a cada novo conteúdo encontrado nas redes sociais, ela deixa de seguir uma estratégia própria e passa simplesmente a reagir aos movimentos dos outros.
O filósofo e pensador francês René Girard desenvolveu o conceito do “desejo mimético”, segundo o qual muitas vezes desejamos determinadas coisas não porque elas possuem, necessariamente, um valor objetivo superior, mas porque vemos outras pessoas desejando ou valorizando aquilo. Isso explica.
Quando olhamos para o conteúdo do outro, frequentemente enxergamos apenas o produto final. Não vemos o planejamento que existiu antes. Não conhecemos o contexto. Não sabemos se aquele conteúdo realmente trouxe resultado eleitoral. Não sabemos se gerou votos, mobilização ou apenas visualizações.
Em uma campanha profissional, a pergunta mais importante é: “Esse conteúdo é bom para a nossa estratégia?”
Comunicação não é uma coleção de conteúdos interessantes. Comunicação é construção de significado.
Antes de reproduzir qualquer ideia, a equipe deveria perguntar:
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Isso combina com a identidade do candidato?
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Isso conversa com o nosso eleitor?
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Isso fortalece nosso posicionamento?
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Isso está alinhado com nossos objetivos?
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Ou estamos fazendo apenas porque alguém fez primeiro?
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Essa última pergunta pode evitar muitos erros.





